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Ortodoxia 2000

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Igreja Ortodoxa

Ó estranha Igreja Ortodoxa, tão pobre e tão fraca, ao mesmo tempo tão tradicional e ainda tão livre, tão arcaica e  ainda  tão viva, tão ritualista e ainda tão pessoalmente mística, Igreja onde o pérola de grande preço do  Evangelho é  preciosamente preservada, as vezes de baixo de uma camada de pó-Igreja que tem tão freqüentemente provado incapacidade de ação, ainda que saiba, como nenhuma outra, como cantar a jóia do Oriente".

Arquimandrita Lev Gillet, (1893-1980), o "Monge da Igreja Oriental".

 

O que é a Igreja Ortodoxa?

Primórdios

A religião cristã surgiu na Palestina, em Jerusalém, a cerca de 2000 anos atrás. Os apóstolos de lá partiram fundando igrejas em diversos lugares como Corinto, Antioquia, Tessalonica, Roma, Alexandria, Bizâncio, etc. A religião cristã foi muito perseguida pelo império Romano até que no ano 312 quando o  imperador Constantino concedeu a liberdade religiosa no império. No ano 380 o cristianismo se tornou religião oficial do império romano e se espalhou pelo mundo inteiro. Surgiram gradualmente então cinco grandes centros do cristianismo, Roma, Constantinopla, Alexandria, Antioquia e Jerusalém, era a chamada Pentarquia. Já no século V muitos cristãos se separaram não aceitando as determinações do IV Concílio Ecumênico de Calcedônia dando origem as Igrejas Ortodoxas Orientais ou Igrejas Não Calcedônias como a Igreja Ortodoxa Copta, a Igreja Ortodoxa Sirian Antioquina, entre outras. Em 863 os irmãos  São Cirilo e São Metódio começaram a evangelizar os povos eslavos e esta continuou através de seus seguidores.

O Grande Cisma

No entanto, a Igreja de Roma, que havia caído sob o domínio do império germânico começou gradualmente a se separar do cristianismo oriental. Essa separação foi um processo longo e demorado que começou já em 381 com por exemplo a negação do Cânon III do II Concílio Ecumênico que conferia a Constantinopla igualdade de honra e o segundo lugar depois de Roma (que só seria aceito por Roma muito mais tarde e com Constantinopla nas mãos dos cruzados e de um patriarca latino), com a disputa do Filioque em 850, com o cisma de 1054 e foi coroada com a desastrosa atuação dos cruzados tanto em Constantinopla, Jerusalém e Antioquia. Porém didaticamente o grande cisma é datado no ano de 1054. As causas do cisma foram religiosas, teológicas e políticas e não se pode exagerar a importância das causas políticas uma vez que se assim fosse hoje o cisma já teria sido desfeito. Com o cisma a Cristandade (os Cristãos) se dividiram em Ocidentais que deram origem a Igreja Romana e mais tarde as Igrejas Protestantes porem os cristãos orientais continuaram unidos na Igreja Una Santa Católica e Apostólica que passou a ser denominada simplesmente por Igreja Ortodoxa. Note que a Ortodoxia não reconhece a divisão da Igreja e sim apenas a divisão dos cristãos. Sendo Cristo a cabeça da Igreja que é seu corpo como há um só Cristo há uma só Igreja que é seu corpo. Para a Ortodoxia também não existe distinção entre Igreja visível e Igreja invisível sendo que a Igreja Una que é o corpo de Cristo é simplesmente a Igreja Ortodoxa.

A Igreja Ortodoxa continuou fiel aos 7 Concílios Ecumênicos e permaneceu como sendo a união de diversas igrejas que se são verdadeiramente Católicas, Apostólicas e Ortodoxas. Católica que significa Universal mostrando que a Igreja é destinada a todos os povos, raças e línguas e também para distinguir das Igrejas não Calcedônicas, Apostólica porque possui tanto o ensinamento dos apóstolos, sua tradição como sua sucessão ininterrupta, Ortodoxa, significando ao mesmo tempo "Doutrina Reta" e "Adoração Reta" significando a crença de possuir a verdadeira doutrina cristã e de se estar louvando a Deus da maneira correta e também para distinguir da Igreja de Roma.

A Verdadeira e Única Igreja de Cristo

Resumindo numa simples frase, como o próprio nome sugere, a Igreja Ortodoxa é simplesmente a verdadeira e única Igreja de Cristo (a Igreja Una, Santa, Católica e Apostólica que professamos no Credo) porque foi fundada por Cristo, permaneceu fiel a fé dos apóstolos, dos mártires, dos santos sem jamais ter vivido nem a Reforma e nem a Contra-Reforma. Isso não significa que para a Ortodoxia as outras Igrejas (criadas por homens e não por Deus) sejam erradas ou completamente erradas. Ela apenas se limita a ter consciência do fato de ser verdadeira e sabe muito bem o porque. Ser a Igreja verdadeira não implica que ela tenha o monopólio de Cristo, que impediria outras de serem igualmente verdadeiras, pois sua veracidade não é exclusiva se encontrando numa forma de instituição mas sim inclusiva se encontrando na Fé verdadeira, na santa Tradição e na Sucessão Apostólica ininterrupta. As Igrejas protestantes e a Igreja de Roma possuem em maior ou menor grau uma porção da verdadeira fé e seriam novamente parte da Igreja Ortodoxa se aceitassem voltar completamente a fé verdadeira.

Livremente Unidade na Diversidade

Hoje a Igreja Ortodoxa é composta de 15 igrejas autocéfalas que vivem em comunhão umas com as outras mas que são completamente independentes e livres em termos de administração. São unidas pela mesma fé, pela mesma tradição e pela vivência dos Sacramentos (em particular a Eucaristia) e também por igrejas autônomas que dependem de uma igreja autocéfala.

Uma Nova Era.

As Igrejas Ortodoxas sofreram muito com o Islamismo e principalmente com o Comunismo. Nem tudo no Comunismo foi ruim, pois isso serviu para espalhar o cristianismo ortodoxo pelo mundo inteiro. Agora com o fim do Comunismo nos países da Ex-União Soviética a Igreja Ortodoxa deverá renascer com força total. Também aqui no ocidente, para onde muitos Ortodoxos vieram, deverá haver um florescimento que não pode ter sido outra coisa senão vontade do Deus.

[Por José Lauro Strapasson]

"Ide pelo mundo inteiro, proclamai o Evangelho a todas criaturas".
(Marcos 16,15)

Bíblia Sagrada - TEB-Tradução Ecumênica da Bíblia - Editora Loyola.

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| Página atualizada em 16 de fevereiro de 2007 |